28 de fevereiro

Começa construção da usina de Furnas

Aproveitamento de cânion no rio Grande (MG) permitirá gerar 1.000 MW

O presidente Juscelino Kubitschek cria a Central Elétrica de Furnas S/A, com a determinação de que a estatal inicie o mais rápido possível as obras da Usina de Furnas.

A hidrelétrica proveria o país com mais de 1.000 megawatts, um terço da capacidade energética instalada até aquele momento, e atenderia aos três principais centros socioeconômicos do país: São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

Quando sua construção foi iniciada, previa-se a maior obra em andamento na América Latina. Finalizada, exibiria uma barragem de 120 metros de altura e um reservatório que se estenderia por 135 mil hectares. Para construí-la, seria necessário desapropriar 8 mil propriedades rurais.  

O país caminhava para um colapso energético: o crescimento da economia era muito mais rápido que a capacidade de o país gerar energia nova. O Plano de Metas previa uma industrialização acelerada durante o governo JK, por isso o governo precisava se antecipar e suprir o gargalo — com obras mais baratas e de menor porte, e outras grandes e já com projetos definidos, como a Usina de Três Marias. Furnas surgiu como um lance de sorte, e Juscelino não o deixou escapar.

O engenheiro da Central Elétrica de Minas Gerais (Cemig) Francisco Noronha descobriu um cânion longo e profundo em Minas Gerais, no leito do rio Grande, e apresentou um estudo ao vice-presidente John Reginald Cotrim propondo o seu uso para produção de energia. Concluiu que, aproveitando os dois braços do estreito, uma hidroelétrica ali construída teria condições de produzir energia nova na quantidade que o país precisava e capacidade logística para distribuí-la aos três polos industriais do país.

A primeira unidade geradora de Furnas entraria em funcionamento em 1963. A sexta, em 1965.