25 de novembro

'Geografia da Fome' desmistifica miséria

Livro de Josué de Castro condena a injusta apropriação dos recursos

Tomando emprestadas categorias biológicas, sociológicas, geográficas e da ciência econômica para traçar o panorama da carência alimentar no Brasil, o médico e geógrafo Josué de Castro publica “Geografia da Fome”, pela editora O Cruzeiro.

O livro se tornaria uma referência fundamental para a análise dos impactos sociais do subdesenvolvimento. Para o autor, a fome é fruto da ação humana, de suas escolhas e da condução econômica do país. “Fome e subdesenvolvimento são uma mesma coisa”, afirmou. E o subdesenvolvimento, concluiu, é produto da apropriação injusta da abundância de recursos da natureza.

Josué foi contra a corrente do pensamento da época, que atribuía a miséria às condições naturais, climáticas e étnicas. Ele foi pioneiro ao defender a instituição do salário mínimo como garantia de segurança alimentar das famílias. Formulou ainda, para o governo, uma política de merenda escolar com o objetivo de reduzir a subnutrição infantil, além de ser um veemente defensor da reforma agrária, convencido de que a agricultura familiar fixaria o homem ao campo e garantiria a produção de alimentos necessária para a superação da miséria.

Josué se elegeu duas vezes deputado federal pelo PTB de Pernambuco. Nesse período, assumiu também o cargo de presidente do Conselho Executivo da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). Em 1963, foi indicado embaixador do Brasil na ONU.

Com o golpe de 1964, seu nome figurou na primeira lista de cassados. Exilado em Paris, lecionou na Universidade de Sorbonne. Seus estudos, conhecidos em todo o mundo, lhe valeram o Prêmio Internacional da Paz e indicações para o Prêmio Nobel da Paz.

Morreu em 1973, no exílio, sem readquirir seus direitos políticos de cidadão brasileiro.