13 de junho

LGBT e prostitutas denunciam violência

Protesto expõe repressão da polícia paulista também contra negros

Militantes de 13 organizações se reúnem, à noite, na escadaria do Teatro Municipal de São Paulo em protesto contra as operações Limpeza e Rondão, comandadas pelo delegado José Wilson Richetti. Desde abril daquele ano, as polícias civil e militar vinham prendendo e espancando prostitutas, travestis e homossexuais no centro da cidade e em outras regiões da capital paulista. As ações tinham o apoio do comandante do 2° Exército, general Milton Tavares, e do governador Paulo Maluf. 

Grupos homossexuais, feministas e negros passaram a se mobilizar contra a Operação Limpeza. Denunciaram as violências em entrevistas coletivas, entraram com representação judicial contra o delegado e fizeram panfletagem na cidade. A Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa convocou o delegado e o secretário de Segurança Pública, Otávio Gonzaga Jr., para prestar esclarecimentos.

Durante o ato público, os organizadores do protesto exigiram a imediata destituição do delegado Richetti, o fim da violência policial e da discriminação racial e sexual, bem como a garantia do direito de ir e vir.

Participantes de várias entidades, como o Grupo SOMOS de Afirmação Homossexual, o Movimento Negro Unificado, a Ação Lésbica-Feminista, o Núcleo de Defesa à Prostituta, a Associação de Mulheres, o Grupo Feminino 8 de Março, a Convergência Socialista, o Grupo de Mulheres do Jornal “O Trabalho”, o Departamento Feminino da USP – DCE Livre, Eros, a Ação Homossexualista e Nós Mulheres, distribuíram Carta Aberta à População em que explicavam: “Hoje estamos dando uma resposta concreta a essa onda de violência desencadeada pelos responsáveis pela Segurança Pública: um secretário de Segurança, um diretor do departamento de polícia e um delegado vêm aterrorizando prostitutas, homossexuais, travestis, negros e desempregados com prisões arbitrárias, espancando e até assassinando-os”.

Apesar da chuva fina, os manifestantes deixaram a escadaria do Municipal e saíram em passeata até o largo do Arouche, também no centro de São Paulo, entoando palavras de ordem como "Amor, feijão, abaixo a repressão!", "Lutar, vencer, mais amor e mais prazer!", "A B X, libertem os travestis", "Somos todas prostitutas" e ainda "Abaixo o subemprego, mais trabalho para os negros!".