6 de setembro

Líderes exilados voltam para casa

Leonel Brizola, Miguel Arraes e Luís Carlos Prestes retornam ao Brasil

O ex-governador do Rio Grande do Sul Leonel Brizola desembarca no aeroporto de Foz do Iguaçu (PR), encerrando um exílio de mais de 15 anos. Dez dias após a promulgação da Lei da Anistia, é o primeiro dos grandes líderes políticos cassados pelo golpe de 1964 a retornar ao Brasil.

Cunhado do presidente deposto João Goulart, Brizola pretendia disputar as eleições presidenciais de 1965 pelo PTB. Era o político mais odiado pelos golpistas e teve de deixar o país. Ao retornar, depois de passar por Foz do Iguaçu, foi a São Borja (RS) visitar os túmulos de Jango e Getúlio Vargas, onde foi aclamado por uma multidão.

Dez dias depois, o ex-governador de Pernambuco Miguel Arraes desembarcou no aeroporto do Recife, de onde seguiu para o bairro de Santo Amaro, sendo recebido em festa por 50 mil pessoas. Arraes, que era do PST (Partido Social Trabalhista), foi deposto e preso por oficiais do Exército no dia do golpe. Em maio de 1964, obteve um habeas corpus do Supremo Tribunal Federal e partiu para a Argélia. Também viveu na França posteriormente. No exílio, deu apoio a grupos brasileiros de esquerda e organizou a Frente Brasileira de Informações, que denunciou ao mundo os crimes da ditadura no Brasil.

No dia 20 de outubro foi a vez do secretário-geral do Partido Comunista Brasileiro (PCB), Luís Carlos Prestes, desembarcar no aeroporto do Galeão, no Rio, onde foi recebido por uma multidão. Prestes viveu clandestinamente no Brasil nos primeiros sete anos da ditadura e depois seguiu para a ex-União Soviética. Também viveu na França parte de seus oito anos de exílio. Na época do golpe, o PCB, que Prestes dirigia desde 1934, era uma organização política bastante poderosa. Mesmo ilegal, controlava grandes sindicatos, publicava jornais e revistas, tinha influência no Congresso e estava se reaproximando do governo Jango em torno das reformas de base.

Para a ditadura, Brizola, Arraes e Prestes formavam uma tríade de líderes malditos e, ao mesmo tempo, temidos pela influência que exerceram na esquerda e nos movimentos populares em 1964. Além deles, voltariam ao país ou deixariam a clandestinidade após a anistia os líderes do movimento estudantil de 1968 (Vladimir Palmeira, José Dirceu, Luiz Travassos), o ex-deputado Francisco Julião, líder das Ligas Camponesas, e centenas de militantes das organizações revolucionárias, sobreviventes da repressão, além de sindicalistas, artistas e intelectuais.