Setembro

Internet altera as vias da visibilidade

André Dahmer publica "Malvados" e vira ícone de autores da nova tecnologia

O artista plástico, poeta e quadrinista André Dahmer, conhecido pelas tiras que, desde 2001, publica em seu blog, lança seu primeiro livro, “Malvados”, pela editora Gênesis.

Integrante da nova geração de cartunistas que surgiram com a popularização da internet, o autor deve seu sucesso àquilo que publicava autonomamente nas redes sociais. Com suas tirinhas de humor ácido, com críticas mordazes sobre a nova era da informação, Dahmer se tornaria um ícone do período, em conjunto com uma série de cartunistas de diferentes estilos, como Carlos Ruas, Vítor Teixeira e Carlos Latuff.

A internet alteraria a lógica da visibilidade do trabalho de artistas de diversas áreas. A possibilidade de criar e publicar tirinhas de maneira independente em blogs e redes sociais, sem custo adicional, favorece a multiplicação dos artistas na primeira década do século 21.

Além de cartunistas, escritores e cronistas, também ganhariam visibilidade os vloggers e “youtubers” — jovens que atrairiam grande quantidade de fãs nas redes sociais com seus vídeos contendo análises, percepções e críticas de diversos temas.

Outro fenômeno na produção artística do período, que se estendeu inclusive à música e ao audiovisual, foi a bandeira do “copyleft” —criação de obras sem direito autoral, baseado em construção coletiva. É também no período que surge o movimento Creative Commons, partindo das mesmas premissas: liberdade de criação e disseminação de conteúdos no mundo digital.

Depois de “Malvados”, Dahmer publicaria “O Livro Negro de André Dahmer” (2007), “Malvados” (2008), “A Cabeça e a Ilha” (2009), “Rei Emir Saad: O Monstro de Zazanov” (2011), “Minha Alma Anagrama de Lama” (2013) e “Vida e Obra de Terêncio Horto” (2014). Suas tirinhas iriam para as páginas do “Jornal do Brasil”, “Folha de S.Paulo” e “O Globo”.