Setembro

Internet altera as vias da visibilidade

Nova geração de artistas dissemina conteúdos abertos nas redes sociais

André Dahmer lança seu primeiro livro, mas a fama do quadrinista é bem anterior à sua primeira obra impressa. Integrante da nova geração de cartunistas que surge com a popularização da internet, o autor deve seu sucesso àquilo que publica autonomamente nas redes sociais. Com suas tirinhas de humor ácido, com críticas mordazes sobre a nova era da informação, Dahmer se tornaria um ícone do período, em conjunto com uma série de cartunistas de diferentes estilos, como Carlos Ruas, Vítor Teixeira e Carlos Latuff.  

A internet alteraria a lógica da visibilidade do trabalho de artistas de diversas áreas. A possibilidade de criar e publicar tirinhas de maneira independente em blogs e redes sociais, sem custo adicional, favorece a multiplicação dos artistas na primeira década do século 21. Além de cartunistas, escritores e cronistas, também ganhariam visibilidade os vloggers e youtubers — jovens que atrairiam grande número de fãs com vídeos publicados em redes sociais contendo análises, percepções e críticas sobre diversos temas.

Outro fenômeno na produção artística do período, que se estende inclusive à música e ao audiovisual, é a bandeira do copy left — a criação de obras sem direitos autorais, sobre as bases da construção coletiva. É também no período que surge o movimento “creative commons”, partindo das mesmas premissas: liberdade de criação e disseminação de conteúdos no mundo digital.