29 de agosto

Madrugada de horror em Vigário Geral

Homens encapuzados invadem comunidade no Rio e matam 21 moradores inocentes

A favela de Vigário Geral, na zona norte do Rio de Janeiro, é invadida durante a madrugada por um grupo de extermínio composto por 36 homens armados e encapuzados, que arrombam casas e fuzilam 21 moradores.  O assassinato indiscriminado de trabalhadores, estudantes e donas de casa foi uma represália à morte de quatro policiais militares pelo chefe local do tráfico de drogas.

A chacina, noticiada em todo o mundo e condenada pela Organização dos Estados Americanos (OEA), ocorreu 39 dias após o assassinato de oito crianças e adolescentes em frente à Igreja da Candelária, também no Rio. Essa nova tragédia fortaleceu a percepção do Brasil como um país sem controle sobre a violência e sem fronteiras entre a polícia e o banditismo.

Dias antes do massacre dos moradores, o sargento Ailton Ferreira dos Santos e mais três PMs haviam sido executados por Flávio “Negão” e seus comparsas, que os acusavam do sequestro e morte do irmão do traficante. Durante o sepultamento dos policiais, os colegas juraram vingança.

Por mais de uma hora, os exterminadores encapuzados espalharam o pavor na comunidade, apesar dos apelos dos moradores. Só 12 horas depois dos assassinatos o Corpo de Bombeiros chegou à comunidade para recolher os corpos diante de 30 mil moradores em estado de choque. 

No dia seguinte, o governador do Rio de Janeiro, Leonel Brizola, exonerou o comandante do 9º Batalhão da PM, César Pinto, por estar “mais do que convicto” sobre sua responsabilidade nas ações dos subordinados e prometeu indenizar as famílias das vítimas.

Cinquenta e dois policiais militares foram acusados de participação na chacina de Vigário Geral. Desse total, sete foram condenados – três deles seriam absolvidos posteriormente –, cinco morreram antes do julgamento e dois estão foragidos. Apenas um condenado permaneceu preso, mas em decorrência de outros crimes.