11 de agosto

Maluf banca o jogo e domina o PDS

Dividido e corrompido, partido marcha para derrota com ex-governador

A Convenção Nacional do PDS indica o deputado e ex-governador Paulo Maluf candidato do partido à Presidência da República. Maluf obteve 493 votos contra 350 dados ao ministro do Interior, coronel Mário Andreazza, que era o favorito do general presidente João Baptista Figueiredo. A diferença de 143 votos evidenciou traições na base de Andreazza. “Não quero mais saber dessa gente que trai”, disse o ministro ao fim da convenção.

Escolhido candidato, Maluf recebeu apoio formal de Figueiredo, mas jamais conseguiria reunificar o PDS para enfrentar Tancredo Neves no Colégio Eleitoral. Pela segunda vez em sua carreira, o deputado venceu uma convenção partidária na base do aliciamento individual, com ofertas de cargos e favores. A primeira foi em 1978, quando derrotou Laudo Natel, apoiado pelo governo Ernesto Geisel, na convenção da antiga Arena que o indicou candidato a governador de São Paulo. 

No dia seguinte à convenção, a chapa Tancredo-Sarney já contava com os votos de 66 deputados do PDS. Governadores do partido, como Esperidião Amin (SC), Hugo Napoleão (PI), Luiz Gonzaga Motta (CE) e Roberto Magalhães (PE), anunciaram apoio a Tancredo nos meses seguintes. Antônio Carlos Magalhães, da Bahia, também iria aderir a Tancredo no final do ano. Com apoio de Roberto Marinho, seria indicado ministro das Comunicações. 

A imprensa ampliou o destaque às denúncias de corrupção contra Maluf, que já eram comuns no noticiário. A acusação de maior impacto naquele período foi feita pelo deputado Mário Juruna (PDT-RJ). Ele acusou o ex-deputado Calim Eid, braço direito de Maluf, de ter tentado comprar seu voto com dinheiro. Juruna apresentou como prova o recibo de um depósito em sua conta bancária e chamou os jornalistas para registrar a devolução do dinheiro.