19 de janeiro

Polícia reprime a Marcha da Fome

Violência e prisões impedem protesto da Central Geral dos Trabalhadores

Manifesto da Confederação Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB) conclama os brasileiros a não ficarem passivos e a se unirem para protestar contra o desemprego e as condições degradantes em que vivem. Diz o documento: “Basta, camaradas! Não toleraremos mais esta situação de miséria e fome! Compareçamos todos à nossa Marcha da Fome e tomemos à força o que de direito nos cabe! Contra o governo, contra a polícia, contra a burguesia, organizemos a nossa demonstração, assaltemos armazéns e levemos o pão para os nossos filhos”. 

A polícia fez de tudo para impedir as manifestações. Nos dias anteriores à data marcada, militantes que pregavam cartazes foram presos no Rio de Janeiro, Recife, Curitiba, São Paulo e Santos. Policiais invadiram casas e apreenderam documentos. Desde cedo, soldados da cavalaria e da infantaria ocuparam pontos estratégicos das cidades. No Rio de Janeiro, chegaram a armar metralhadoras na praça da Bandeira. Vários dos presos foram posteriormente deportados, sob a alegação de serem comunistas estrangeiros. 

A CGTB foi fundada pelos comunistas durante o Congresso Operário Nacional, que aconteceu no Rio de Janeiro em abril de 1929. Ao contrário dos anarquistas, defendia a centralização do movimento sindical, sem romper com a tradição beneficente das associações de ofício anarquistas. Seu principal dirigente, Minervino de Oliveira, foi candidato à presidência da República em 1930, numa campanha marcada pela perseguição e repressão policial. Obteve 720 votos.