18 de agosto

Camponeses no MA fundam sindicato

Em Pindaré-Mirim, liderados por Manoel da Conceição, eles enfrentam grileiros

Manoel da Conceição e outras lideranças camponesas fundam o Sindicato dos Trabalhadores Rurais Autônomos de Pindaré-Mirim, o primeiro do Maranhão, que reúne cerca de mil famílias espalhadas por uma dezena de municípios e povoados no chamado Vale do Pindaré-Mirim, região marcada por violentos conflitos agrários.

O movimento teve início com o trabalho desenvolvido na região pelo Movimento de Educação de Base (MEB), entidade criada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) em 1961.

O MEB tinha como propósito prioritário não só alfabetizar a população rural das regiões mais pobres e marginalizadas do país, por meio de programas radiofônicos em emissoras católicas de rádio, mas também conscientizá-la de sua real situação de pobreza e exploração.

A ação consistia em formar líderes comunitários e sindicatos rurais, para que pudessem se organizar e encontrar soluções para seus problemas.

Como consequência desse trabalho, que teve a liderança dos lavradores Manoel da Conceição Santos e Antônio Lisboa Brito, foram construídas em Pindaré-Mirim, no regime de mutirão, 28 escolas de alfabetização para adultos e crianças, chamadas de Escolas João de Barro: casinhas simples, com uma porta, uma janela e bancos de madeira. O pagamento dos professores era feito por meio de contribuições —  uma “caixinha”.  

Em torno das escolas os lavradores se organizariam para resistir à agressão dos fazendeiros e dos grileiros. O sindicato, desde sua criação, definira como primeira luta a exigência de que os grandes proprietários confinassem o gado, pois, criados soltos, os animais invadiam e comiam as plantações dos camponeses.

Entretanto, sem encontrar apoio do poder público, a entidade se veria forçada a adotar a política do “gado que come roça leva bala”, ou seja, o boi que destruísse a plantação do lavrador seria morto, e sua carne, distribuída como compensação pelos prejuízos. A partir de então os fazendeiros passaram a confinar o gado, mas organizaram milícias para atacar os lavradores.

Depois do golpe de 1964, cerca de 200 lideranças seriam presas e levadas para a capital do estado, e o sindicato, dissolvido. Ainda assim, a entidade resistiria na clandestinidade até 1972, quando sucumbiria à repressão do governo do general Emílio Garrastazu Médici.

O líder Manoel da Conceição seria preso nove vezes e barbaramente torturado. Em 1968, sofreria um atentado que custaria a perna direita. Na última passagem pela cadeia, seria libertado somente por pressão do papa Paulo 6º e do Comitê Internacional Manoel da Conceição pela Luta dos Direitos Humanos, sediado na Suíça.