17 de abril

Marcha do MST toma a capital federal

Sem-terras chegam a Brasília e reúnem 100 mil pessoas em manifestação

Marcha organizada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) chega a Brasília e realiza ato que reúne 100 mil pessoas na Esplanada dos Ministérios. Diante do êxito da manifestação, o presidente Fernando Henrique Cardoso recebeu no dia seguinte uma comissão de representantes da marcha.

A caminhada dos sem-terra tivera início dois meses antes, em 17 de fevereiro, quando três colunas, reunindo 1.300 integrantes, partiram simultaneamente de diferentes pontos do país em direção ao Brasília. O objetivo era protestar contra a política agrária do governo, a exclusão social e lembrar o Massacre de Eldorado dos Carajás, ocorrido um ano antes. Ao chegar ao destino, a marcha atravessou o Eixo Rodoviário e cobriu a capital federal com o vermelho das bandeiras do MST.

Uma das colunas de trabalhadores saiu da capital paulista com 600 integrantes. A segunda partiu de Governador Valadares (MG), com 400 pessoas. A terceira, de Rondonópolis (MT), com 300.  A iniciativa teve o apoio de outras entidades e movimentos sociais, como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), sindicatos diversos, PT e Comissão Pastoral da Terra (CPT), entre outros.  Ao longo da jornada de dois meses, a marcha recebeu várias manifestações de apoio. O povo de Brasília saiu às ruas para ver e aplaudir sua chegada. Estudantes e várias categorias profissionais engrossaram a manifestação.

Participaram do encontro com o presidente uma comissão liderada por João Pedro Stédile, da direção nacional do MST, e pelo bispo de Jales (SP), dom Demétrio Valentini. A reunião foi tensa e marcada pela desconfiança. Os sem-terra cobraram providências concretas do governo.

A marcha trouxe resultados positivos. Os assentamentos aumentaram depois da manifestação e o MST ganhou fôlego para realizar a Conferência de Itaici, embrião do movimento Consulta Popular.