19 de março

Marcha reage 'com Deus' contra Jango

De rosários nas mãos, setores da classe média protestam contra 'perigo comunista'

Organizada por setores da igreja católica e associações femininas conservadoras, a Marcha da Família com Deus pela Liberdade é uma resposta ao Comício da Central, realizado no Rio de Janeiro seis dias antes, durante o qual João Goulart anunciara seu programa de Reformas de Base. A Marcha reuniu segmentos da classe média temerosos do "perigo comunista" e favoráveis à deposição do presidente da República.

A primeira dessas manifestações ocorreu em São Paulo, no dia de São José, padroeiro da família. Seu principal articulador foi o deputado Antonio Silva da Cunha Bueno apoiado pelo governador Adhemar de Barros. A base ideológica da manifestação foi o movimento Cruzada do Rosário pela Família, introduzido no Brasil em 1962 pelo padre irlandês Patrick Peyton, ex-pároco de Hollywood com vínculos com a CIA.

A segunda Marcha da Família, programada para 2 de abril no Rio de Janeiro, realizou-se no dia seguinte à deposição de Jango e foi batizada pelos jornais conservadores de “Marcha da Vitória”.