26 de março

Marinheiros abrem crise com revolta

Anistia a rebelados desafia hierarquia militar e aumenta isolamento de Jango

Cerca de 2 mil marinheiros se reúnem na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do Rio de Janeiro para comemorar o segundo aniversário da fundação da Associação dos Marinheiros e Fuzileiros Navais do Brasil. O ato contou com a presença de sindicalistas, líderes estudantis, de Leonel Brizola e do marinheiro João Cândido, líder da Revolta da Chibata de 1910. A entidade era considerada ilegal pela Marinha.

O ministro Silvio Mota enviou um contingente de fuzileiros para prender os marujos reunidos na sede do sindicato, mas o tiro saiu pela culatra. Os fuzileiros aderiram à manifestação. O movimento só foi sufocado quando tropas do Exército cercaram o prédio e prenderam os rebelados.

Jango substituiu o ministro e mandou libertar os marinheiros. A rebelião e a posterior anistia foram recebidas por boa parte da oficialidade da Marinha como quebras da disciplina e da hierarquia, o que fortaleceu os setores golpistas das Forças Armadas e contribuiu para o isolamento de Jango.