30 de outubro

Mazzaropi expressa nostalgia caipira

Inspirado em Lobato, 'Tristeza do Jeca' consagra versão paulista das chanchadas

PAM Filmes lança “Tristeza do Jeca”, o mais importante filme da fase rural da carreira do ator, produtor e diretor Amácio Mazzaropi. O filme vem consagrar o personagem da obra do escritor Monteiro Lobato.

O personagem já havia aparecido dois anos antes, no filme “Jeca Tatu”, com o próprio Mazzaropi no papel-título. Com Mazzaropi, que agora também dirige, ele representaria o caipira, o brasileiro do interior desconfiado das modernidades que surgiam no país e esquivo aos novos valores urbanos.

Versão rural e paulista das chanchadas da carioca Atlântida Cinematográfica, os filmes de Mazzaropi eram produzidos por uma companhia própria, a Produções Amácio Mazzaropi (PAM). Eram filmes de baixo custo, herdeiros da tradição circense e do teatro mambembe.

Assim como as chanchadas cariocas, os filmes de Mazzaropi cairiam no gosto do público e renderiam grandes bilheterias, apesar das críticas de alguns setores da intelectualidade.

A produção de Mazzaropi tem dois momentos distintos: a fase urbana, de 1951 a 1958, e a fase rural, que começa em 1959 e dura até os anos 1970.

“Tristeza do Jeca” foi concebido a partir da canção homônima composta por Angelino de Oliveira, gravada pela primeira vez na década de 1920 e eternizada mais tarde por Tonico e Tinoco, dupla que seria uma das maiores expressões da música caipira brasileira.

O filme é ambientado em uma cidade de interior da Região Sudeste, nas primeiras décadas do século 20, e traduz a desconfiança do homem rural com as intenções de dois coronéis que prometem modernizar a vida no campo.