23 de agosto

MDB lança o seu candidato general

Oposição escolhe Euler Bentes para disputar eleição com Figueiredo

O Diretório Nacional do MDB lança a candidatura do general Euler Bentes Monteiro para disputar a Presidência da República com o candidato da Arena, general João Baptista Figueiredo, no Colégio Eleitoral. Diferentemente da anticandidatura de Ulysses Guimarães – uma forma de denúncia adotada pelo MDB em 1973 –, dessa vez o partido da oposição vislumbrava uma chance de dividir os militares e vencer a ditadura em seu próprio campo. A estratégia foi rejeitada por muitos setores da oposição.

O general Euler (pronuncia-se Óiler) fez carreira no Exército sem ter apoiado o golpe militar de 1964. Vinculado ao chamado “setor nacionalista” das Forças Armadas, foi presidente da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) no período do general Costa e Silva. No governo de Ernesto Geisel, foi promovido a general-de-Exército (quatro estrelas) e nomeado presidente da estatal Imbel - Indústria de Material Bélico do Brasil.

Antes de optar pela candidatura de Euler Bentes, dirigentes do MDB avaliaram o apoio a um nome civil da Arena: o ex-governador e ex-ministro das Relações Exteriores Magalhães Pinto. A escolha do general resultou de uma bizarra articulação de “autênticos” do MDB, como o deputado cassado Chico Pinto, e adversários de Figueiredo no Exército, como o ex-chefe da Casa Militar general Hugo Abreu, que deixara o cargo após a demissão do ex-ministro do Exército Sylvio Frota. Pela primeira vez, desde o golpe, dois generais da ativa iriam disputar o Colégio Eleitoral. Euler Bentes seria derrotado por 355 votos a 226.