11 de fevereiro

Oficiais da FAB se rebelam contra JK

Levante de Jacareacanga dura 20 dias e toma duas cidades no sul do Pará

O major Haroldo Veloso e o capitão José Chaves Lameirão, da Força Aérea Brasileira (FAB), rendem o oficial do dia da Base Aérea do Campo dos Afonsos, no Rio de Janeiro, enchem de munição um avião de combate e o levam para Jacareacanga, no sul do Pará, próximo da divisa com Mato Grosso. Dessa minúscula guarnição da Força Aérea, situada no meio da Floresta Amazônica, os dois oficiais dão início a um levante.

Ambos os militares, udenistas e seguidores do jornalista Carlos Lacerda, inconformados com a vitória da aliança PSD-PTB nas eleições presidenciais, queriam derrubar o recém-empossado Juscelino Kubitschek a partir de uma revolta no Brasil Central.

Com um batalhão formado por seringueiros e índios mundurucus e o apoio de parte da população local, os revoltosos manteriam o levante por 20 dias e tomariam as cidades de Itaituba e Santarém, no Pará.

A intenção dos revoltosos era controlar pontos estratégicos no interior do território nacional e forçar um ataque de tropas legalistas — o que levaria os militares de oposição a pegar em armas contra Juscelino.

Mas o plano não foi além. O governo, diante da recusa da Aeronáutica em reprimir os rebeldes, mobilizou paraquedistas e tropas do Exército para eliminar o foco de sedição. Veloso acabou preso; Lameirão e outros se exilaram na Bolívia.

Em 1º de março, Juscelino enviaria ao Congresso um projeto de lei que, aprovado, anistiaria civis e militares que houvessem participado de movimentos destinados a romper a ordem constitucional de 10 de novembro do ano anterior até 19 de março — o que beneficiaria não apenas os revoltosos de Jacareacanga, mas também os envolvidos na golpe malogrado de 11 de novembro do ano anterior.

Meses depois, em 10 de novembro, JK enfrentaria o Levante de Aragarças.