29 de maio

Morte aumenta a tensão no Araguaia

Gringo é assassinado; conflito agrário entra na pauta da Segurança Nacional

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Conceição do Araguaia (PA), Raimundo Ferreira, o Gringo, é sequestrado, torturado e morto por pistoleiros. Gringo era ligado à Comissão Pastoral da Terra (CPT). Na véspera do crime, o padre Ricardo Rezende, da CPT, havia denunciado em Brasília que seis líderes rurais do sul do Pará estavam jurados de morte por grileiros e grandes proprietários de terra. O enterro de Gringo foi acompanhado por cerca de 4 mil pessoas. O caso nunca foi apurado.

O assassinato do sindicalista chamou a atenção do governo para a explosão de conflitos de terra na confluência entre os rios Araguaia e Tocantins, conhecida como Bico do Papagaio. Tratava-se da mesma região onde o Exército havia liquidado, em 1974, os últimos sobreviventes da guerrilha do Araguaia. O extermínio de 64 militantes do PCdoB não havia eliminado as causas verdadeiras da tensão na área: a disputa de terras entre pequenos posseiros e os grandes pecuaristas e grileiros.

O conflito de terras na região passou a ser tratado pelo Conselho de Segurança Nacional (CSN). O governo criou, em agosto, o Grupo Executivo de Terras do Araguaia-Tocantins (Getat), subordinado ao presidente do CSN, general Danilo Venturini, que também era chefe do Gabinete Militar. O Getat deveria cuidar da legitimação de posses, assentamento de agricultores e desapropriação de áreas rurais. Mas a tensão na área e a violência contra os trabalhadores só iriam aumentar nos anos seguintes.