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O movimento

Movimento estudantil

Antes do golpe militar, o movimento estudantil (ME) e suas entidades, como a UNE (União Nacional dos Estudantes) e as UEEs (União Estadual dos Estudantes), participaram ativamente das mobilizações em favor de mudanças progressistas no país. Por isso, seus membros foram fortemente perseguidos pela ditadura desde o primeiro momento. A sede da UNE, no Rio de Janeiro, foi atacada e incendiada no dia do golpe, 1º de abril de 1964. Em seguida, todas as entidades estudantis foram colocadas na ilegalidade. Centros acadêmicos foram fechados e, em 27 de outubro do mesmo ano, o Congresso aprovou o decreto que extinguia a UNE e proibia greves e atividades políticas nas universidades.

Pouco depois, em 9 de novembro, foi aprovada a Lei Suplicy, elaborada pelo ministro da Educação, Flávio Suplicy de Lacerda, com o objetivo de intervir no movimento estudantil e controlar os órgãos de representação dos universitários. A partir da Lei Suplicy foram criados de cima para baixo os diretórios acadêmicos (DAs), os diretórios centrais (DCEs), os diretórios estaduais (DEEs) e o Diretório Nacional dos Estudantes. O ME, depois de muita discussão, reagiu à nova legislação participando e se apropriando dos DAs e DCEs, mais próximos da massa dos estudantes, e repudiando os DEEs e o DNE, mantendo em funcionamento, na clandestinidade, as UEEs e a UNE.

Em 1966, o governo apresentou sua proposta de reforma educacional. Baseada nos acordos MEC-Usaid firmados entre o Ministério da Educação e Cultura (MEC) e a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid), a reforma buscava implementar no Brasil um modelo de educação semelhante ao adotado nos EUA. Entre as novidades prontamente combatidas pelo movimento estudantil estavam a redução de 12 para 11 anos no ciclo da educação fundamental, então chamado de primeiro grau, a obrigatoriedade do ensino do idioma inglês desde a primeira série (decisão considerada imperialista por difundir de forma compulsória a cultura norte-americana), a extinção de aulas como filosofia e educação política, e a redução da carga horária de história e geografia em favor das ciências exatas, como física e matemática.

Ainda nesse ano, os estudantes voltaram às ruas, em passeatas e manifestações. O governo reagiu com repressão. O episódio mais grave e simbólico ficou conhecido como o Massacre da Praia Vermelha. Na ocasião, estudantes reunidos na Faculdade Nacional de Medicina, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), para protestar contra a cobrança de taxas e anuidades, foram espancados por policiais, que reprimiram violentamente a manifestação e depredaram o campus.