Julho

Mulheres iniciam luta pela anistia

Movimento Feminino reclama a volta de exilados e a libertação de presos

O Movimento Feminino Pela Anistia (MFPA) é lançado pela ex-prisioneira política Therezinha Zerbini numa sessão do Congresso do Ano Internacional da Mulher, realizado pela ONU na Cidade do México. De volta ao Brasil, a ativista articula um manifesto nacional, reunindo mães e familiares de presos políticos e de exilados brasileiros. O MFPA foi a primeira organização a defender abertamente a anistia no país.

A criadora do movimento era casada com o general Euryales Zerbini, um dos quatro oficiais-generais que resistiram ao golpe de 1964. O militar foi deposto do comando da unidade do Exército em Caçapava (SP), preso, reformado e cassado. Therezinha havia sido presa em 1970, acusada de apoiar a realização do congresso clandestino da UNE em Ibiúna (SP), em 1968. Passou seis meses no Presídio Tiradentes, onde foi companheira de cela da futura presidenta Dilma Rousseff .

O manifesto do MFPA reuniu 16 mil assinaturas em todo o país, especialmente no Rio Grande do Sul. O movimento tinha existência legal e foi muito importante por abrir espaço para a militância democrática de setores da classe média que não tinham vínculos com a esquerda ou com a oposição institucional. O MFPA recebeu o apoio da igreja católica, do MDB e de entidades de classe.