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A chave para o Brasil moderno

Nacional-desenvolvimentismo

A cidade é uma gigantesca fábrica de homens modernos. Com base nessa certeza, o projeto nacional-
-desenvolvimentista formulou — no Brasil e em quase toda América Latina —, durante as décadas de 1950 e 1960, uma grande questão e avivou uma grande esperança: como o Estado pode construir uma sociedade cultural e politicamente moderna?

A chave para a construção desse novo Brasil chamava-se “desenvolvimentismo”, e usar essa palavra significava dizer pelo menos três coisas sobre o nosso país. Primeiro, que nossa sociedade, defasada e dependente dos países mais avançados, dividia-se em duas: uma parte atrasada e tradicional e outra já moderna, em franco desenvolvimento. Segundo, que essa dualidade se definia em termos de polos: tradicional versus moderno, centro versus periferia. Finalmente, que a solução para essa dualidade estava na industrialização e na urbanização.

Diante desse cenário, “nacionalismo” significava principalmente a constatação de que o desenvolvimento se realizaria nos quadros nacionais, num mercado nacional, e envolvia, por consequência, a afirmação de um Estado que definisse as fronteiras e as instituições desse mercado. Caberia à industrialização a tarefa de superar a dualidade básica da economia brasileira; ao Estado, competia liderar esse processo, articulando grupos sociais conflitantes; ao nacionalismo, cabia dar-lhe um sentido.