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-desenvolvimentismo

O nacional-

O projeto nacional-desenvolvimentista carregava consigo a grande esperança de extensão ampla dos benefícios econômicos, políticos e sociais da modernidade a toda a sociedade brasileira. A dualidade seria superada pela industrialização, e esta seria consequência do desenvolvimento, isto é, da acumulação de capital e da incorporação de progresso técnico, processo que redundaria no aumento da renda por habitante ou, em outras palavras, na elevação sustentada dos padrões de vida da população. Por causa disso, o termo “desenvolvimento” era entendido como industrialização; mas era bem mais do que isso: significava o processo pelo qual o Brasil realizaria sua revolução em direção à modernidade.

A trajetória do projeto nacional-desenvolvimentista esteve, no início, estreitamente vinculada à Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), fundada pelo economista argentino Raúl Prebisch. No Brasil, esse projeto foi profundamente marcado por uma palavra-chave — o conceito de “subdesenvolvimento”, formulado por Celso Furtado e altamente politizado pela conjuntura extremada do período que antecedeu o golpe militar de 1964.

O termo “subdesenvolvimento” qualifica um momento específico de formação do capitalismo, próprio de sociedades como a brasileira, cuja economia foi historicamente dependente do sistema colonial e que, por isso mesmo, é forçada a suportar consequências que se autossustentam, a despeito do avanço da industrialização: a estrutura agrária arcaica, as relações entre a monocultura exportadora e o capitalismo internacional, a dualidade da estrutura produtiva nacional, a profunda desigualdade que norteava as relações de trabalho.

No argumento de Furtado, para ultrapassar essa situação de subdesenvolvimento era necessário um conjunto de reformas básicas a ser implantadas pelo Estado —agrária, fiscal, bancária, urbana, tributária, administrativa e universitária.

A defesa dessas reformas estruturais tornou-se uma das principais bandeiras de luta para as forças nacionalistas e de esquerda no país e assumiu sua forma política definitiva — as “Reformas de Base” — alguns anos depois, a partir de 1962, durante o governo de João Goulart.

A palavra “subdesenvolvimento”, por sua vez, entrou para o vocabulário da população, que passou a utilizá-la difusa e diversamente, porém sempre mantendo a angulação definida por Furtado: era preciso enfatizar onde ocorria  o subdesenvolvimento, para melhor enfrentá-lo.