29 de abril

Com 'O Cangaceiro', nasce o nordestern

Filme é premiado no exterior, mas Vera Cruz sucumbe ao custo das produções

É lançado o filme “O Cangaceiro”, dirigido por Lima Barreto, com trilha sonora de Gabriel Migliori, diálogos de Rachel de Queiroz e atuações de Alberto Ruschel, Mílton Ribeiro e Vanja Orico. O filme contribui decisivamente para a fixação da temática do cangaço no cinema brasileiro.

No Festival de Cannes, “O Cangaceiro” levaria os prêmios de melhor filme de aventura e de melhor trilha sonora — que consagraria a canção “Mulher Rendeira”, de domínio público, com a interpretação dos Demônios da Garoa.

A película tomou como modelo os faroestes ("westerns") hollywoodianos — chegou a ser apelidada de nordestern — para introduzir o tema do cangaço no cinema nacional. Foi uma produção cara, cujo enredo exibia cidades amedrontadas por bandidos e às voltas com fugas, perseguições e romances.

A paulista Vera Cruz, sediada em São Bernardo do Campo, se contrapôs à indústria de chanchadas. Seus diretores e produtores pretendiam lançar filmes com maior apuro estético e mais intelectualizados do que os da carioca Atlântida Cinematográfica. O modelo de ambas era Hollywood: a Atlântida chegava a isso pela galhofa e pela comédia; a Vera Cruz, pela qualidade técnica e os altos padrões cinematográficos.

“O Cangaceiro” foi talvez o maior sucesso da Cinematográfica Vera Cruz — só no Brasil, teve 800 mil espectadores. Mas esse estrondoso sucesso e a generosa bilheteria, porém, só amortizariam uma pequena parte das grandes dívidas da companhia. Um ano depois, a Vera Cruz fecharia suas portas.