29 de junho

Nasce a Oban, braço da tortura em SP

Repressão e violência tem dinheiro de empresários e cobertura do governo

Na presença do governador de São Paulo, Abreu Sodré, e dos comandantes locais da Marinha e da Aeronáutica, o comandante do 2° Exército, general José Canavarro Pereira, lança a Operação Bandeirante – Oban, que viria a ser o maior centro de tortura e assassinatos na ditadura.

A Oban foi criada para centralizar as investigações e o desmantelamento das organizações de esquerda – armadas ou não –, sob direção do Centro de Informações do Exército (CIE). O objetivo era dar mais eficiência à repressão, coordenando os diversos aparelhos policiais (militares e civis) e as Forças Armadas.

O projeto do general Canavarro Pereira foi financiado por grandes empresários de São Paulo e empresas multinacionais, com apoio da Federação das Indústrias (Fiesp). Há registros de contribuição financeira e apoio material por parte de bancos como o Bradesco e Mercantil de São Paulo, das automobilísticas Ford e GM e dos grupos Ultra (Ultragás) e Folha, que emprestava carros de entrega de jornais para camuflagem dos agentes da Oban. 

O governador Abreu Sodré cedeu a 36ª delegacia policial, na esquina das ruas Tutóia e Tomás Carvalhal, bairro do Paraíso, para sediar o centro de torturas. Colocou à disposição da operação policiais militares, delegados, agentes e escrivães da Polícia Civil. O prefeito Paulo Maluf mandou asfaltar o pátio da delegacia e as ruas de acesso. O comandante da Oban era o major Waldyr Coelho, mas o torturador mais famoso, em sua primeira fase, foi o delegado do Dops Sérgio Paranhos Fleury. 

O órgão serviria de modelo para a posterior criação dos Destacamentos de Operações de Informação – Centros de Operações de Defesa Interna, os DOI-Codi. Ele substituiriam a Oban em São Paulo e se converteriam nos centros do terror do Estado no Rio de Janeiro, Recife, Brasília, Curitiba, Belo Horizonte, Salvador, Belém, Fortaleza e Porto Alegre.