28 de outubro

Oficina estreia seu primeiro espetáculo

Grupo paulistano propõe dramaturgia mais aberta e menos dogmática

Estreiam os espetáculos “A Ponte”, de Carlos Queiroz Telles, e “Vento Forte para um Papagaio Subir”, de José Celso Martinez Correa. Inaugura-se, assim, o Teatro Oficina, com a proposta de se diferenciar do “aburguesado” Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) e longe do que se considerava extremismo nacionalista do Teatro de Arena, conforme proposta de seus fundadores.

Seria no Centro Acadêmico XI de Agosto (da Faculdade de Direito do Largo São Francisco) que José Celso, Renato Borghi, Amir Haddad, Fauzi Arap e Carlos Queiroz Telles, entre outros, resgatariam a experiência do teatro existencialista de Jean-Paul Sartre e adotariam o método Stanislávski — técnica destinada a promover a perfeita identificação entre ator e personagem.

A boa recepção, pela crítica e pelo púbico, da montagem da peça “A Engrenagem”, de Jean-Paul Sartre, por ocasião da visita do filósofo francês ao Brasil, em 1960, seria o início da profissionalização do grupo amador.

No ano seguinte, o grupo apresentaria profissionalmente, em São Paulo, “A Vida Impressa em Dólar”, de Clifford Odets, com a estreia de José Celso na direção.

Em 1963, estrearia a peça “Pequenos Burgueses”, de Máximo Górki, que teria grande repercussão e seria censurada dois dias após o golpe militar de 1964.

Durante a ditadura, o grupo substituiria o método Stanislávski, que enfatiza a psicologia dos personagens, pelo teatro épico de Bertolt Brecht — sem, contudo, assumir o seu caráter revolucionário. O Teatro Oficina era, antes de tudo, um grupo com propostas artísticas e políticas próprias, aberto ao experimentalismo criativo e a clássicos do teatro internacional, e ao mesmo tempo engajado na luta contra a censura.

Encenaria espetáculos fundamentais da dramaturgia, como “Um Bonde Chamado Desejo”, de Tennessee Williams (1962); “O Rei da Vela”, de Oswald de Andrade (1967); “Roda Viva”, de Chico Buarque (1968) e “Galileu Galilei”, de Brecht (1968).