4 de abril

Jango nos EUA: muita prosa e pouca ajuda

Presidente brasileiro é bem recebido por Kennedy, mas volta de mãos abanando

O presidente João Goulart visita oficialmente os Estados Unidos com o objetivo de pedir socorro financeiro para superar a grave crise econômica em que se debate o país. Apesar de bem recebido pelo presidente John Kennedy, a viagem resulta num estrondoso fracasso.

Jango levou consigo o ministro da Fazenda, Walter Moreira Sales — que tinha ótimas relações com o governo e os bancos norte-americanos —, uma lista de medidas de combate à inflação e a disposição de discutir assuntos incômodos.

O governo dos EUA, no entanto, apenas insistiu para que o Brasil cumprisse as determinações do Fundo Monetário Internacional (FMI) e implementasse medidas fiscais mais rigorosas. Além disso, exigiu indenização às subsidiárias das empresas norte-americanas Bond & Share e ITT, encampadas pelo governador gaúcho Leonel Brizola.

Jango voltaria para o Brasil com uma parca ajuda financeira de US$ 131 milhões, ainda assim sujeita a controle: só seria liberada se os EUA aprovassem a destinação que o governo brasileiro daria ao dinheiro.

Do ponto de vista político, Jango manteve sua posição de independência. Na conversa com Kennedy, defendeu a não intervenção em Cuba, embora tenha se manifestado contra regimes marxistas. Não condenou Brizola por nacionalizar subsidiárias de empresas norte-americanas, mas discutiu a possibilidade de indenizá-las.

Além do encontro com Kennedy na Casa Branca, Goulart foi ao Congresso norte-americano, onde analisou questões latino-americanas e alertou para as consequências das relações econômicas desiguais entre os países.

Goulart defendeu ainda a implementação da reforma agrária, mais um ponto desconfortável para os norte-americanos. Reforçando a tradição brasileira pelo fortalecimento da paz, foi taxativo: “o Brasil não integra bloco político-militar algum”.