13–20 de Outubro

Novas cassações abrem crise política

Castelo fecha o Congresso e censura a imprensa; até arenistas se rebelam

A cassação de seis deputados federais em 13 de outubro provoca a mais grave crise política do governo Castelo Branco. A decisão do presidente da Câmara, Adauto Lúcio Cardoso, de que as cassações deveriam ser submetidas ao plenário em votação secreta, como determinava a Constituição de 1946, e a prisão do deputado Doutel de Andrade, um dos cassados, aumentaram ainda mais a tensão. Parlamentares do MDB iniciaram vigília nas dependências da Casa e chegaram informações de que haveria corte de água, luz e telefone.

Na madrugada do dia 20, Castelo baixou o Ato Complementar nº 23, decretando o recesso do Congresso. Foi também imposta censura à imprensa. Policiais do Exército e da Aeronáutica e fuzileiros navais deslocaram-se em direção à sede do Poder Legislativo, que foi invadida às 5h da manhã. No edifício encontravam-se cerca de 60 deputados e o presidente do Senado, Auro de Moura Andrade -- o mesmo que em abril de 1964 havia declarado vaga a Presidência da República, abrindo caminho para a deposição de João Goulart.

Radicalizada, a ditadura passava a enfrentar resistência até mesmo de alguns artífices políticos do golpe de 1964. As Forças Armadas ocuparam o Congresso por 32 dias.