29 de janeiro

Movimentos sociais ocupam as cidades

Criação do MPL é um marco na luta pelos espaços públicos e pela reforma urbana

Grupos e coletivos de jovens envolvidos na luta por maior acesso ao transporte público fundam o Movimento Passe-Livre (MPL), durante o Fórum Social Mundial, em Porto Alegre. O grupo, que se define como autônomo, apartidário, horizontal e independente, tem como principal bandeira o transporte público gratuito e sem a intermediação da iniciativa privada.

A criação do MPL resultou do aprofundamento de ações em favor do transporte público gratuito, que vinham ganhando força nos últimos anos, como a Campanha pelo Passe Livre, em Florianópolis (2000), a Revolta do Buzu, em Salvador (2003) e a Revolta da Catraca em Florianópolis (2004 e 2005).

Na mesma época, tomavam corpo as reivindicações e a visibilidade de outros movimentos relacionados ao direito à cidade, à reforma urbana e à ocupação de espaços públicos, que surgiram no final da década de 1990 — como o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), organizado em 1997, comprometido com a luta pela moradia e reforma urbana. Grandes acampamentos urbanos do movimento passam a se destacar nacionalmente, como o Acampamento Chico Mendes, em Taboão da Serra (SP), 2005.

A criação de outros movimentos, em articulação com movimentos sociais tradicionais, trouxe não apenas demandas antes invisíveis, mas também novas formas de organização social: movimentos descentralizados, horizontais, sem linha de comando nem lideranças bem definidas, o que contribuiu para ampliar sua capacidade de mobilização via redes sociais.