31 de agosto

Jornais populares vendem como nunca

Diários como "Super Notícia" conquistam leitorado e superam grande imprensa

Dados do Instituto Verificador de Circulação (IVC) de agosto de 2007 revelam: o jornal popular mineiro "Super Notícia", do grupo O Tempo, supera as publicações tradicionais em vendas médias diárias. Com 300.322 exemplares vendidos, ele ultrapassa a "Folha de S.Paulo" (299.010), "O Globo" (276.733), "Extra" (238.937) e "O Estado de S. Paulo" (238.756).

Tradicionalmente, as classes C e D não eram o público-alvo dos grandes periódicos. Com a ascensão da nova classe trabalhadora e a expansão de seu poder de consumo, os veículos de comunicação voltados para os setores populares passaram a bater recordes de tiragem e vendas, com preços de capa bem inferiores aos dos chamados ”jornalões”.

Embora mantivessem algumas características que vinham desde os anos 1980 — fotos de belas mulheres na capa e ampla cobertura de ocorrências policiais —, os jornais populares se especializaram em serviços, explicando ao leitor como acessar as políticas públicas e defender seus direitos.

Esses veículos passaram a receber verba publicitária significativa das redes varejistas especializadas em consumo popular, que também cresciam significativamente com o aumento do emprego formal e da renda.

Em resposta, os grandes grupos da mídia nacionais e regionais passariam a investir cada vez mais em publicações específicas para esse segmento, lançando seus próprios jornais populares.

Ao mesmo tempo, com o popularização da internet e a pluralização das possibilidades de produzir informação, também se disseminavam grupos de comunicação originários da nova classe C — como o jornal "Voz da Comunidade", do Morro do Alemão, no Rio de Janeiro, lançado em 2005, e que se tornaria conhecido ao cobrir pelo Twitter, em tempo real, a ocupação do Alemão em 2010.

Em 2003, 499 veículos de comunicação recebiam verbas publicitárias do governo federal — em 2014, esse número chegaria a 9.663.