1º de agosto de 2007

Jornais populares vendem como nunca

Diários como "Super Notícia" conquistam leitorado e superam grande imprensa

Segundo dados do IVC (Instituto Verificador de Circulação) de agosto de 2007, o jornal popular mineiro "Super Notícia", do grupo O Tempo, supera os jornais tradicionais em número de vendas médias diárias. Com 300.322 exemplares vendidos, ele ultrapassa a "Folha de S.Paulo" (299.010), "O Globo" (276.733), "Extra" (238.937) e "O Estado de S. Paulo" (238.752).

Tradicionalmente, as classes C e D não eram público alvo dos grandes jornais e revistas. Com a ascensão da nova classe trabalhadora e a expansão de seu poder de consumo, os veículos de comunicação voltados para os setores populares passam a bater recordes de tiragem e vendas, com preços de capa bem inferiores aos dos chamados 'jornalões'. 

Embora mantenham parte das características dos jornais populares dos anos 1980, com fotos de mulheres na capa e ampla cobertura de assuntos policiais, eles agora se especializam em matérias de serviço, explicando ao leitor como acessar as políticas públicas e defender seus direitos. Esses veículos passam a receber verba publicitária significativa das redes varejistas especializadas em consumo popular, que também crescem significativamente com o aumento do emprego formal e da renda.

Os grandes grupos da mídia nacionais e regionais passariam a investir cada vez mais em publicações específicas para este segmento, lançando seus próprios jornais populares.

Ao mesmo tempo, com o advento da internet e a pluralização de possibilidades de produção de informação,  também se disseminariam grupos de comunicação originários na nova classe C. É o caso do jornal "Voz da Comunidade", do Morro do Alemão, no Rio de Janeiro, lançado em 2005, e que se tornaria conhecido ao cobrir pelo Twitter, em tempo real, a ocupação do Alemão em 2010. 

Entre 2003 e 2014, o número de veículos de comunicação que receberiam verbas publicitárias do governo federal passaria de 499 a 9.663.