Dezembro

Crack vicia e mata população de rua

Políticas higienistas fracassam, e apreensão da droga triplica no país

O combate às drogas no Brasil fecha o ano de 2007 com o saldo de 578 quilos de crack apreendidos, o equivalente a mais de 80% do total interceptado na América do Sul. Esses números engordam ainda mais o volume de apreensão no país, que desde 2002 já aumentou 289%.

Droga derivada da pasta base de cocaína, o crack chegou ao Brasil nos anos 1990. A primeira década do século 21 viu o consumo dessa substância crescer consideravelmente, especialmente entre a população de baixa renda e em situação de rua — ao contrário do que acontece nos Estados Unidos, o preço da droga no Brasil é baixo, cerca de 2 dólares por pedra.

A quase totalidade dos usuários de cocaína injetável migraria para o crack até o final da década, assim como os usuários de merla (droga também derivada da pasta de coca). O potencial viciante do crack é o maior entre os entorpecentes.

Como consequência, as maiores metrópoles brasileiras testemunhariam, a partir do final dos anos 1990, o surgimento de “cracolândias”, espaços públicos ocupados por usuários e pequenos traficantes de crack. As políticas de repressão às cracolândias, tradicionalmente estruturadas sob a óptica da segurança pública e da higienização de espaços, não teriam sucesso duradouro.  

Até 2010, o Brasil seria o terceiro maior consumidor da droga no mundo. O vício em crack seria a segunda principal causa de procura por centros de saúde pública voltados à dependência bioquímica (Caps-AD), perdendo apenas para o álcool.

Em 2010, o governo federal lançaria o Plano de Ação Integrada contra o consumo de crack e outras drogas, investindo US$ 231 milhões no combate ao narcotráfico, na reintegração social, no aumento de vagas hospitalares para atendimento a viciados e em ações preventivas.