17 de junho

O Brasil de Juscelino rompe com o FMI

Exigências do fundo comprometeriam o Plano de Metas que elegeu o presidente

O governo Juscelino Kubitschek rompe com o Fundo Monetário Internacional (FMI) após um ano de negociações. A ajuda financeira solicitada ao Fundo no início do ano anterior tinha sua liberação condicionada a um plano recessivo de ajuste fiscal e contenção salarial.

O empréstimo seria destinado a reduzir a necessidade de emissão de moeda, à qual JK recorria para bancar os incentivos à industrialização, construir Brasília e erguer a infraestrutura necessária para viabilizar ambas, e que vinha acelerando o processo inflacionário. De outro lado, as exigências recessivas do FMI, se cumpridas, inviabilizariam o Plano de Metas que elegeu Juscelino.

Em março, o FMI exigira que o governo brasileiro pusesse em prática medidas drásticas: contenção dos salários, desaquecimento da economia, cortes significativos nos gastos públicos e redução da inflação para 6% ao ano. Como contrapartida, seria liberado um empréstimo de 300 milhões de dólares.

Para elaborar e implantar o plano de estabilização monetária exigido pelo FMI, o presidente demitiu o ministro da Fazenda, José Maria Alkmin (PSD), e nomeou o engenheiro Lucas Lopes para o cargo. O novo ministro apresentou, em junho de 1958, um plano que previa aumento de impostos, redução das linhas de crédito, fim de subsídios aos produtores e redução dos gastos públicos a níveis que comprometeriam o Plano de Metas.

Entre desacelerar a construção de Brasília e cumprir a orientação do FMI, Juscelino optou por romper relações com o fundo, em junho de 1959, reconquistando a simpatia da opinião pública, àquela altura descontente com a elevação do custo de vida.

Milhares de pessoas foram às portas do palácio do Catete manifestar seu apoio ao presidente, que invocou o ideário nacionalista e aproveitou para conclamar a participação popular em seu Plano de Metas.