15 de setembro

Crise global: Lehman Bros. pede concordata

No Brasil, estímulo ao consumo reaquece a economia, gera empregos e eleva o PIB

O Lehman Brothers, o quarto maior banco de investimentos dos Estados Unidos, pede concordata, marcando de forma dramática o agravamento da crise do sistema financeiro mundial iniciada em meados de 2007.

A crise, consequência da não regulamentação do sistema financeiro e da bolha de crédito imobiliário nos EUA, já provocara, àquela altura, a falência de grandes bancos das maiores economias do mundo e ondas de despejo e desemprego em massa.

Nesse cenário de liberalização financeira global — desregulamentação do setor bancário, livre mobilidade de capital entre países, inovações financeiras sem garantias e mercado financeiro global unificado —, a crise rapidamente tomava caráter mundial. Suas consequências seriam perceptíveis em todos os continentes.

O panorama brasileiro, no entanto, era de crescimento contínuo do PIB, com distribuição de renda e redução das diferenças regionais. A inflação sob controle, a criação de empregos (1,8 milhão em 2007 e 2,1 milhões em 2008), a política de valorização do salário mínimo (com aumento real de 51% desde 2003) e as políticas de transferência de renda contribuíram para elevar em 21,5% o consumo no período.

Nossas reservas de moedas internacionais também haviam crescido, passando de US$ 37 bilhões em 2003 para US$ 207 bilhões em 2007. No cenário do comércio exterior, o Brasil diversificara suas exportações e relações comerciais internacionais, com foco na América Latina, África, China e Oriente Médio. No período, o país também passara de devedor a credor internacional.

Para enfrentar a crise, o governo federal lançaria mão de políticas econômicas anticíclicas, com fortalecimento dos bancos públicos para expansão do crédito, ampliação do financiamento ao setor exportador e estímulo ao mercado interno.

Foram considerados estratégicos para o aquecimento da economia os setores da construção civil — com aumento do limite de empréstimo para compra de materiais de construção e a disponibilidade de crédito para o setor —, do agronegócio — com antecipação do financiamento da safra — e da produção automotiva e eletrodomésticos — com isenção do imposto sobre produtos industrializados.

Várias iniciativas de desoneração fiscal e redução de impostos também foram tomadas, além de aumentos no investimento em políticas públicas, tais como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o Bolsa Família e o Minha Casa Minha Vida, para gerar emprego, assegurar renda e manter a economia aquecida.

Em dezembro de 2008, o presidente Lula faria um pronunciamento em cadeia nacional explicando a crise mundial e estimulando o consumo responsável.

Depois dessa série de medidas, os efeitos da crise mundial de 2008 seriam reduzidos no Brasil. O país rapidamente recuperaria sua capacidade de atração de capital estrangeiro e credibilidade internacional. O PIB cresceria 5,1% em 2008, com leve retração de 0,2% em 2009, ano marcado por forte queda na economia mundial.

Em 2010, a economia brasileira voltaria a crescer fortemente, atingindo 7,5%, um recorde — em comparação com as taxas dos 20 anos anteriores. O mesmo quadro de recuperação se perceberia em relação ao desemprego: a taxa, que aumentara de 7,2% em 2008 para 8,1% em 2009, cairia para 6,7% novamente em 2010.