17 de julho

Brasil que quase deu certo é bicampeão

Campeão no cinema, basquete e futebol, país perderia democracia 2 anos depois

O Brasil chegou à Copa de 1962, no Chile, com a autoestima em alta, preparado para conquistar o bicampeonato. E conquistou — vencendo a Tchecoslováquia por 3 a 1 na final — sem Pelé, contundido logo no segundo jogo, mas com um anjo de pernas tortas mais endiabrado do que nunca, a ponto de jornais chilenos perguntarem: “Garrincha, de que planeta você vem?”.

Garrincha vinha de um planeta chamado Brasil, que menos de um mês antes levantara a cobiçada Palma de Ouro do Festival de Cannes, com o filme “O Pagador de Promessas”, de Anselmo Duarte. Antes que 1962 chegasse ao fim, o Santos de Pelé seria o primeiro time brasileiro a vencer a Copa Intercontinental (chamada de “Mundial de Clubes”), goleando o Benfica, do astro Eusébio, por 5 a 2, na casa deles.

Na mesma época, o basquetebol do Brasil mostrava ao mundo que tinha “samba” também na mão: a geração de ouro formada por Amaury Passos, Wlamir Marques, Ubiratan e Rosa Branca conquistou o bicampeonato mundial (1959 e 1963), além das medalhas de bronze nos Jogos Olímpicos de Roma (1960) e Tóquio (1964).

Tudo somado, parecia que em 1962 o complexo de vira-latas havia ficado para trás de uma vez por todas, substituído pelo sentimento de que o país finalmente poderia dar certo — quando na verdade caminhava para dar errado: a renúncia de Jânio Quadros no ano anterior abrira espaço a uma crise política que começou com a resistência dos militares à posse do vice João Goulart e atingiria o ponto máximo com o golpe civil-militar de 31 de março de 1964.

1962 foi o ano em que o Brasil quase deu certo.