Julho

O Brasil real em linguagem popular

Coleção Cadernos do Povo Brasileiro traz livros temáticos sobre temas nacionais

Sai o primeiro volume dos Cadernos do Povo Brasileiro, com o título “Que São as Ligas Camponesas?”, de autoria do líder camponês Francisco Julião. Os Cadernos são uma coedição da Editora Civilização Brasileira, do Instituto Superior de Estudos Brasileiros (Iseb) e do Centro Popular de Cultura (CPC) da UNE, feitos em brochuras simples, papel barato e linguagem acessível ao homem do povo.

A coleção Cadernos do Povo Brasileiro teria 28 volumes, com a ambiciosa proposta de disseminar o debate dos grandes temas daquele cenário político em efervescência, como a reforma agrária, a revolução, o imperialismo e a Constituição, entre outros.

Começou com uma tiragem de 20 mil exemplares, mas algumas edições chegariam a 100 mil. Durante um tempo considerável, a venda dos Cadernos constituiria uma das principais formas de financiamento do CPC e da própria UNE.

No texto sobre as Ligas Camponesas, Julião fez uma radiografia das condições sociais aviltantes que prevaleciam no campo, para concluir que trabalhadores rurais deveriam resistir, se necessário com armas.

Os Cadernos já cumpriam, dessa forma, a proposta de formação teórica e informação, mas fundamentalmente de conscientização e preparação do povo para a luta política. O tema da reforma agrária, que dividia as opiniões da sociedade, seria abordado de forma constante nas edições futuras.

“Quem É o Povo no Brasil?”, de Nelson Werneck Sodré; “Quem Faz as Leis no Brasil?”, de Osny Duarte Pereira; “Por Que os Ricos não Fazem Greve?”, de Álvaro Vieira Pinto; e “Quem Dará o Golpe no Brasil?”, de Wanderley Guilherme dos Santos, seriam alguns dos textos das edições seguintes.

No número 5 da coleção, a análise de conjuntura de Wanderley Guilherme dos Santos anteciparia em quase dois anos o golpe militar que depôs o presidente João Goulart.  A experiência editorial terminaria em 1964.