30 de novembro

O cowboy visita o general cavaleiro

Reagan encontra Figueiredo, chama Brasil de Bolívia e libera US$ 1,2 bi

Numa viagem de três dias ao Brasil, o presidente dos EUA, Ronald Reagan, dá apoio à intervenção do Fundo Monetário Internacional (FMI) e anuncia empréstimo de US$ 1,2 bilhão, por 90 dias, para que o país não entre em moratória. O republicano Reagan evocou as boas relações dos EUA com a ditadura brasileira, que tinham passado por uma crise no governo de seu antecessor, Jimmy Carter, democrata e defensor dos direitos humanos.

Em discurso no Itamaraty, lembrou a frase dita pelo ex-presidente Richard Nixon a Garrastazu Médici: “Para onde se inclinar o Brasil, vai se inclinar a América Latina”. Depois de dizer que mantinha a opinião de Nixon, o presidente dos EUA usou os slogans da ditadura nos tempos do Ato Institucional n° 5 (AI-5) e do “milagre econômico": “Ninguém segura este país” e “Pra frente, Brasil”. O discurso seria mais lembrado pela gafe no final: “Gostaria de compartilhar um sonho americano com o povo da Bolívia”. Errou de novo ao tentar corrigir-se: “Desculpem, mas Bolívia é para onde estou indo agora”. Na verdade, ele seguiria para a Colômbia.

O general presidente João Baptista Figueiredo levou Reagan a um churrasco na Granja do Torto, onde os dois fizeram uma cavalgada. O presidente dos EUA recebeu em audiência 18 parlamentares brasileiros, incluindo o presidente do PMDB, Ulysses Guimarães, e os senadores Franco Montoro e Tancredo Neves, recém-eleitos governadores. Houve protestos contra a visita em São Paulo e no Rio.