16 de julho

Uruguai vence a Copa e cala o Maracanã

Podendo até empatar, Brasil entra como favorito mas perde a final em casa: 2 a 1

Com um gol a 11 minutos do fim da partida, o Uruguai vence de virada a Seleção Brasileira, anfitriã, e conquista a Copa do Mundo de 1950. O público no Maracanã, incrédulo, assiste a tudo com profunda tristeza. É o fim do sonho do Campeonato Mundial. O Uruguai conquista seu segundo trunfo, pois já levara a Copa de 1930, jogando em casa. Os gols saíram no segundo tempo: Friaça abriu o placar para o Brasil aos 2 minutos; aos 21, Schiaffino empatou para a Celeste; aos 34, Ghiggia selou a tragédia brasileira.

O mundo ainda exibia as cicatrizes da Segunda Guerra Mundial, que provocara o cancelamento das Copas de 1942 e 1946, por isso  não parecia boa ideia transferir para os gramados confrontos entre países que até há pouco se enfrentavam com tiros e bombas. Mesmo assim, a Fifa decidiu ressuscitar a competição.

A Europa estava em ruínas, e vários governos consideravam um desperdício gastar, com um torneio de futebol, recursos que poderiam ser usados na reconstrução de seus países. A solução encontrada pela Fifa foi realizar o torneio novamente na América do Sul, a exemplo da Copa de 1930. E foi assim que o Brasil se tornou anfitrião da Copa do Mundo de 1950.

O governo brasileiro construiu, especialmente para o torneio, aquele que por décadas seria considerado o maior estádio de futebol do mundo: o Maracanã. Motivo de orgulho para o povo brasileiro, o estádio — que anos depois receberia o nome do jornalista Mário Filho — acabaria se tornando palco da nossa maior tragédia futebolística. Jogando em casa, favorito absoluto ao título, o Brasil precisava apenas de um empate na última partida, contra o Uruguai, para se sagrar campeão mundial.

Cerca de 200 mil pessoas, o equivalente a 10% da população carioca da época, lotaram o Maracanã na tarde de 16 de julho. Três dias antes, a seleção brasileira havia massacrado a Espanha por 6 a 1, com direito à torcida gritando “Olé!” e cantando a marchinha carnavalesca “Touradas em Madri”, de Braguinha e Alberto Ribeiro.

Contra o Uruguai, a Seleção Brasileira abriu o placar, mas acabou derrotada, e a marchinha deu lugar ao silêncio e às lágrimas. A imprensa uruguaia chamaria a façanha de seu time de “Maracanazo”, nome que entraria para a história.

Oito anos depois, o cronista Nélson Rodrigues escreveria:

A derrota frente aos uruguaios, na última batalha, ainda faz sofrer, na cara e na alma, qualquer brasileiro. Foi uma humilhação nacional que nada, absolutamente nada, pode curar. Dizem que tudo passa, mas eu vos digo: menos a dor de cotovelo que nos ficou dos 2 a 1. E custa crer que um escore tão pequeno possa causar uma dor tão grande.