24 de março

'O Pasquim' sai sem veto e é apreendido

Liberado de censura, jornal persiste na crítica, mas é recolhido das bancas

A polícia apreende nas bancas o número 300 do jornal "O Pasquim". Era a primeira edição publicada sem os cortes feitos pela censura prévia exercida sobre o tabloide humorístico carioca desde 1970. A suspensão da censura prévia em jornais e revistas era um gesto da “distensão lenta, gradativa e segura” dos generais Geisel e Golbery.

Ela já havia sido interrompida em "O Estado de S. Paulo" em janeiro, mas continuou vigorando para a revista "Veja" (até 1976), o semanário "Opinião" (até 1977) e "O São Paulo", jornal da Arquidiocese paulistana (até 1978). "Movimento" funcionou sob censura prévia de abril de 1975 a junho de 1978.

Na capa da edição 300, abaixo do logotipo, o editor Millôr Fernandes publicou um de seus mais famosos aforismos: “Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados”. No editorial intitulado “Sem Censura”, contou aos leitores que o jornal estava liberado do exame prévio dos textos e ilustrações, mas concluiu com uma advertência: “Sem censura não quer dizer com liberdade”. Foi um teste para os limites da “distensão”. Depois da apreensão do jornal, Millôr deixaria "O Pasquim".