31 de julho

'Vice-Rei do Norte' sai em busca de votos

UDN lança Juarez Távora à Presidência, o 3º militar seguido, com apoio de Jânio

União Democrática Nacional (UDN) lança a candidatura do general cearense Juarez Távora à Presidência da República. É a terceira vez consecutiva que o partido aposta num nome do meio militar — nas duas eleições anteriores (1950 e 1955), o candidato foi o brigadeiro Eduardo Gomes.

Nas articulações que resultaram na escolha de Juarez, o primeiro nome cogitado havia sido o de Etelvino Lins, dissidente do PSD, apoiado por Carlos Lacerda. O governador Jânio Quadros também foi lembrado, mas ele abriu mão da disputa ao saber que Távora pleiteava a candidatura.

O general participara do movimento tenentista da década de 1920, tendo sido uma das principais lideranças da Revolução de 1930 e um dos ministros mais fortes de Getúlio Vargas. Fora o responsável pela nomeação dos interventores estaduais no Norte e no Nordeste, o lhe valeu o apelido de “Vice-Rei do Norte”.

Rompera com Getúlio às vésperas do Estado Novo, tornando-se um dos mais destacados opositores do getulismo e, mais tarde, um dos principais defensores da abertura da exploração do petróleo às empresas estrangeiras.

Como todo candidato oriundo dos quartéis, Juarez Távora era pouco afeito aos palanques e comícios. Faltava-lhe o traquejo político no contato direto com o eleitor, especialmente em comparação com seus concorrentes Juscelino Kubitschek (PSD) e Ademar de Barros (PSP).

Por isso, a derrota de Juarez já era esperada até pelos udenistas antes mesmo do início da campanha, mas seria o candidato da UDN com a menor margem de diferença para o primeiro colocado desde 1945 — obteria 28,7% dos votos, contra 33,82% de Juscelino Kubitschek (PSD), presidente eleito. Em São Paulo, onde teve o apoio de Jânio, seria o segundo mais votado, com 626 mil votos, perdendo apenas para o ex-governador Ademar de Barros (PSP).