23 de setembro

Olga é deportada e entregue à Gestapo

Mesmo grávida, mulher de Prestes é levada à força para um navio alemão

Olga Benário, mulher de Luís Carlos Prestes, é embarcada para a Alemanha. No mesmo navio, segue também Elise Ewert, mulher de Arthur Ewert. O decreto de expulsão do país de Olga Benário foi assinado em 27 de agosto por Getúlio Vargas, que desprezou sua gravidez e seu casamento com um brasileiro, situações que lhe garantiriam a permanência no país.

Filinto Müller já havia combinado com oficiais da Gestapo, a temida polícia política alemã, que ela seria embarcada num navio que seguiria direto para Hamburgo (Alemanha), evitando assim que militantes antifascistas a resgatassem em algum porto no caminho. Como Olga era judia e comunista, foi o mesmo que condená-la à morte.

No dia da deportação, os presos políticos da Casa de Detenção, onde Olga e Elise estavam encarceradas, se rebelaram, em vão, na esperança de impedir que os homens de Filinto Müller levassem à força as duas mulheres. Conduzidas ao navio “La Coruña”, menos de um mês depois, no dia 18 de outubro, estariam nas mãos da Gestapo.

Nas prisões nazistas, assim como acontecera no Brasil, Elise seria barbaramente torturada. Lá Olga daria à luz a menina Anita, em novembro de 1936. Em 1938, Olga e Elise seriam transferidas para o campo de concentração de Lichtenburg, onde Elise, já debilitada pela fome, frio e trabalhos forçados, morreria de tuberculose, aos 32 anos.

Uma intensa campanha internacional foi movida pela libertação de Olga, mas só conseguiram a entrega da pequena Anita à avó paterna, Leocádia. Durante muito tempo, Olga, que teve a filha arrancada dos braços sem explicação, ficou sem saber o paradeiro da filha.

Em 23 de abril de 1942, Olga foi removida para o campo de extermínio de Bernburg, onde seria assassinada numa câmara de gás, antes de completar 34 anos.

Anita Leocádia Prestes viveria com a avó no México até os 8 anos. Só conheceria o pai em 1945, quando ele saiu da prisão.