2 de maio

Santos, São Paulo e Rio têm dia de greve

Movimento é por melhores condições de trabalho. Polícia prende líderes

Na capital paulista, trabalhadores de várias categorias profissionais entram em greve reivindicando a proibição do trabalho de menores de 14 anos, a regulamentação dos direitos da mulher e a jornada de 8 horas de trabalho na indústria. Cruzam os braços também os ferroviários da São Paulo Railway, os operários das fábricas de calçado, os vidreiros, os tecelões e os garçons. Além das reivindicações gerais, cada categoria apresenta exigências específicas. A polícia reage, prendendo dezenas de lideranças operárias.

Assim foi o dia em que eclodiram greves em setores importantes da economia paulista e fluminense. Em Santos, no litoral paulista, os estivadores continuaram trabalhando, sob intenso policiamento, mas a ligação entre o mais importante porto do estado e a capital foi interrompida pelos ferroviários. A polícia invadiu a sede da União dos Trabalhadores Gráficos, prendeu vários líderes comunistas e recolheu material de propaganda. O Exército enviou para Santos o cruzador Bahia, dois contratorpedeiros e dois hidroaviões.

No Rio de Janeiro, os operários da Light interromperam o serviço de bondes e praticamente pararam a cidade. A polícia ocupou os principais pontos do centro, fazendo inúmeras prisões.

A Delegacia de Ordem Política e Social (DOPS) anunciou ter prendido, nas três cidades, militantes comunistas filiados à Federação Sindical Regional.