15 de outubro

Padre das CEBs é morto na delegacia

João Bosco Burnier socorria mulheres torturadas no interior de Mato Grosso

O sacerdote jesuíta João Bosco Penido Burnier é assassinado com um tiro na nuca por um policial militar, quando defendia duas mulheres que eram torturadas em uma delegacia de Ribeirão Cascalheira (MT). O jesuíta estava acompanhado do bispo Pedro Casaldáliga quando chegou à delegacia. Antes de ser baleado, recebeu um soco e uma coronhada do assassino. 

Burnier era ligado ao Conselho Indigenista Missionário (Cimi). Fazia trabalho pastoral junto a camponeses e indígenas, denunciando violências cometidas por latifundiários e agentes públicos.

O assassinato do jesuíta aumentou a tensão entre a ditadura e a hierarquia católica, que denunciou o crime nas missas dominicais. A reação ao crime desencadeou protestos de estudantes em várias universidades. Em dezembro de 2009, a Comissão Nacional de Mortos e Desaparecidos reconheceu a responsabilidade do Estado pela morte de João Bosco Penido Burnier.