4 de outubro

País estreia eleição com reeleição

Fernando Henrique é o primeiro presidente brasileiro a ser reeleito

O presidente Fernando Henrique Cardoso é reeleito no primeiro turno da eleição presidencial, com 53,06% dos votos. O segundo colocado foi o candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, que obteve 31,71%. Devido à boa aprovação do governo, graças ao êxito do Plano Real, o presidente contou com o apoio de uma ampla coligação partidária, formada por PSDB, PFL, PTB, PPB e, informalmente, por boa parte do PMDB. 

Na campanha, Fernando Henrique insistiu na ideia de que qualquer troca no comando do país ameaçaria o real e a estabilidade econômica. O candidato valeu-se do receio da população de uma mudança política num momento de crise internacional, hipótese que foi explorada pelo candidato. A maioria do eleitorado deu, assim, um voto de confiança ao presidente. Ele só não venceu em três Estados: no Ceará, onde o mais votado foi o ex-governador Ciro Gomes; no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro, que deram vitória à coligação PT-PDT.

Durante o primeiro mandato, FHC adotou o receituário neoliberal então largamente predominante no mundo. Promoveu a privatização de empresas estatais e a reforma da Previdência. Demonstrou pouco empenho na realização de políticas sociais. O desemprego cresceu fortemente no período.

Apesar das aparências, a situação da economia brasileira era de extrema fragilidade. A crise internacional, que começou na Ásia em 1997, alcançou a Rússia em agosto de 1998 e ameaçava contaminar outros países, levou o governo a tomar medidas de austeridade, como a elevação dos juros e o corte rigoroso dos gastos e investimentos públicos, reforçando o ambiente de baixo crescimento e de desemprego. Contrariando o bom senso, o governo manteve ainda o real artificialmente equiparado ao dólar. Queria passar aos eleitores a impressão de que a situação estava sob controle.

A chapa Lula-Brizola fez uma campanha pautada por duras críticas às políticas neoliberais do governo, às privatizações e à insensibilidade social do PSDB. A campanha do PT-PDT apontava os problemas econômicos que se confirmariam logo depois da eleição, com a desvalorização do real.

Doze candidatos participaram da disputa presidencial, mas apenas quatro tinham mais de um minuto de tempo de propaganda no rádio e na televisão: FHC, Lula, Ciro e Enéas Carneiro (Prona). Os demais, pela invisibilidade da campanha, tiveram desempenho eleitoral inexpressivo.

Simultaneamente à eleição presidencial, os brasileiros escolheram 27 governadores, um terço dos senadores, deputados federais e estaduais. O resultado da votação para os governos estaduais é amplamente favorável às forças governistas, mas partidariamente disperso: O PSDB foi vitorioso em sete Estados, o PFL em seis, o PMDB em seis, o PPB em dois. Na oposição, o PT ganhou em três, o PSB em dois e o PDT em um. Vinte e um governadores se candidataram à reeleição e 13 foram reconduzidos.

O PMDB elegeu o maior número de senadores (12 dos 27 eleitos), o que lhe daria grande influência no segundo mandato de Fernando Henrique. O PSDB elegeu quatro, o PFL cinco, o PT três, o PSB, um e o PPB, dois. A dispersão se reproduz na Câmara, com o PFL elegendo a maior bancada (105 deputados), seguido pelo PSDB (99), PMDB (83), PPB (60) e PT (59). Outros oito partidos ou coligações elegeram bancadas com menos de 40 deputados.