30 de março

Aliança Libertadora leva 10 mil a ato no Rio

Entidade une democratas contra o fascismo; Prestes é aclamado presidente de honra

Intelectuais, operários, sindicalistas, profissionais liberais e militares lotam o teatro João Caetano, no Rio de Janeiro, no 1º Congresso da Aliança Nacional Libertadora (ANL), frente ampla que une socialistas, comunistas, católicos e democratas na luta contra o fascismo, o imperialismo e pelos direitos da cidadania.

Embora fundada em outubro de 1934, a ANL só foi registrada em 23 de março de 1935. Tinha núcleos espalhados nas capitais, nas cidades do interior, faculdades, associações profissionais, sindicatos e fábricas, e a adesão à organização crescia a cada dia. Vinha realizando manifestações desde janeiro e sofrendo com a repressão policial, que levou à prisão vários de seus membros.

Sob a vigilância de investigadores comandados pelo tenente Aírton Teixeira Ribeiro (oficial de gabinete de Filinto Müller, chefe de polícia do Distrito Federal), os oradores da ANL discutiram o programa da entidade e criticaram a “fascistização” do governo Vargas, cuja Lei de Segurança Nacional estava em vias de ser aprovada no Congresso.

Um dos oradores foi o fundador da ANL, o capitão do Exército Moésia Rolim, a quem o ministro da Guerra mandara prender dias antes, por ter assinado, com outros 31 oficiais, um manifesto contra a Lei de Segurança Nacional. Nas palavras do capitão Rolim, “somos um povo caçado na África, explorado na América e vendido na Europa”.

No final do evento, Luís Carlos Prestes foi aclamado presidente de honra da organização, sob intenso aplauso dos presentes, o que demonstra o prestígio do Cavaleiro da Esperança.

No dia 17 de janeiro, o deputado e constituinte Gilberto Gabeira, eleito pelos empregados na cota da representação profissional, lera, no plenário da Câmara dos Deputados, o manifesto público da fundação da organização, “Pela Libertação Nacional do Povo Brasileiro”. Em fevereiro, o programa da ANL seria divulgado, pregando a “constituição de um governo popular, orientado exclusivamente pelos interesses do povo brasileiro, o cancelamento das dívidas e a nacionalização das empresas imperialistas, a entrega dos latifúndios ao povo laborioso que os cultive, e a libertação de todas as camadas camponesas da exploração dos tributos feudais pagos pelo aforamento, pelo arrendamento da terra”.

A organização também se declarava favorável à anulação total das dívidas agrícolas e à defesa da pequena e da média propriedade, e contra a agiotagem e qualquer execução hipotecária; exigia, além disso, a liberdade em toda a sua plenitude e o direito de o povo se manifestar sem restrições.

A ALN ainda faria um grande comício, levando milhares de aliancistas ao estádio Brasil, no Rio de Janeiro, em 13 de maio daquele ano.