18 de fevereiro

De um racha no PCB, surge o PC do B

Partido dissidente se alinha ao maoismo e prega o "cerco às cidades pelo campo"

A Conferência Nacional Extraordinária convocada por uma dissidência do agora Partido Comunista Brasileiro (PCB) aprova novo estatuto, elege um Comitê Central e se autoproclama a continuação do partido comunista fundado em 1922, o Partido Comunista do Brasil, que passa a usar a sigla PCdoB.

A formação de um novo partido comunista foi o resultado das divergências internas que vinham se acumulando desde o 20º Congresso do Partido Comunista da União Soviética (PCUS), ocorrido em 1956, quando foram denunciados os crimes do ditador soviético Josef Stálin, morto três anos antes.

O congresso, que abalou profundamente o movimento comunista internacional, definira como tática revolucionária a “linha pacífica”, um processo revolucionário em etapas, que deveria passar primeiro pela luta antifeudal e anti-imperialista.

O racha se consumou quando o PCB, para conseguir registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), alterou o “do Brasil” de seu nome para “Brasileiro”, e tirou de seu programa qualquer menção ao marxismo-leninismo. O grupo dissidente protestou, divulgando o chamado “Manifesto dos Cem”, e acabou expulso.

Na conferência extraordinária, a dissidência, que tinha à frente João Amazonas, Maurício Grabois e Pedro Pomar, reivindicou para si o status de verdadeiro Partido Comunista, rechaçou a “via pacífica” para a revolução e aprofundou as críticas a Moscou e ao secretário-geral do PCUS, Nikita Kruschev.

O PCdoB seria o primeiro partido comunista da América Latina a se aproximar da China de Mao Tse-tung, quando ela se distanciou da União Soviética ao defender, como tática revolucionária, o “cerco das cidades a partir do campo”.

A partir de 1966, o partido se dedicaria à implantação de uma estrutura guerrilheira na região do rio Araguaia, que seria dizimada por operações militares entre 1972 e 1974, no período mais duro da ditadura militar.