19 de março

Projeto defende Educação no país

Intelectuais querem ensino público até 18 anos e supervisão de escola privada

“Na hierarquia dos problemas nacionais, nenhum sobreleva em importância e gravidade ao da educação. Nem mesmo os de caráter econômico lhe podem disputar a primazia nos planos de reconstrução nacional”. Assim começa o manifesto lançado por um grupo de importantes intelectuais e educadores — como Anísio Teixeira (presidente da Associação Brasileira de Educação), Fernando Azevedo (responsável pela Biblioteca Pedagógica Brasileira), Afrânio Peixoto, Roquete Pinto, Cecília Meireles e Lourenço Filho, entre outros.

O documento proclamava que a educação pública, laica, gratuita e integral é um direito de todos os cidadãos brasileiros, de todas as classes sociais. "A educação nova, alargando sua finalidade para além dos limites das classes, assume, com uma feição mais humana, a sua verdadeira função social, preparando-se para formar ‘a hierarquia democrática’ pela ‘hierarquia das capacidades’, recrutadas em todos os grupos sociais, a que se abrem as mesmas oportunidades de educação. Ela tem, por objeto, organizar e desenvolver os meios de ação durável com o fim de ‘dirigir o desenvolvimento natural e integral do ser humano em cada uma das etapas de seu crescimento’, de acordo com uma certa concepção de mundo."

Os educadores defendiam o ensino obrigatório e gratuito até 18 anos, custeado pelos estados e coordenado pelo Ministério da Educação. Apesar de não defender o fim do ensino privado, propunham que ele fosse supervisionado pelo Ministério da Educação e Saúde Pública.

Sugeriam ainda a criação de universidades encarregadas de fazer e transmitir ciência, e reivindicavam a “reconstrução do sistema educacional em bases que contribuam para a interpenetração das classes sociais e a formação de uma sociedade humana mais justa, desde o jardim da infância à universidade”.