16 de março

Plano Collor coloca a economia na UTI

Entre as medidas, confisco de 80% dos depósitos bancários e salários congelados

No dia seguinte à sua posse, o presidente Fernando Collor de Mello e a ministra da Economia, Zélia Cardoso de Mello, anunciam o Plano Brasil Novo, que ficaria conhecido como Plano Collor. Sua principal medida é o bloqueio, por 18 meses, de 80% dos ativos financeiros depositados nos bancos, inclusive na caderneta de poupança, historicamente garantida pelo governo.

Cada brasileiro podia sacar no máximo 50 mil cruzados novos, o que causou grande transtorno à vida de todos.  Segundo o governo, o confisco visava reduzir o dinheiro em circulação na economia e debelar a inflação, que acumulara 1.972,9% no ano anterior, por meio de uma brutal inibição do consumo. Dois dias antes da posse, a pedido do presidente eleito, o Banco Central havia decretado feriado bancário de três dias para evitar especulações. Com isso, os brasileiros foram pegos desprevenidos pelo bloqueio dos ativos.

O cruzado novo foi extinto e o cruzeiro, ressuscitado. Surgiu um novo imposto, o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que incidiria sobre qualquer transação bancária, com alíquotas que variavam de 8% a 20%. Os salários foram congelados e as tarifas de serviços públicos, como água e energia, subiram substancialmente. O plano acabou com incentivos fiscais e extinguiu órgãos governamentais, colocando milhares de funcionários públicos no desemprego. 

Em setembro, Collor interromperia o lançamento de novas medidas e o plano entrou em fase de inércia. A recessão castigava a economia, que em novembro já sofreria um encolhimento de 4%. Essa fase se estenderá até 1991, com o lançamento do Plano Collor 2.