19 de maio

Plano Salte quase não sai do papel

Programa para conter a crise tem pouco dinheiro e sofre resistência no Congresso

O governo envia ao Congresso mensagem anunciando a criação do plano Salte (Saúde, Alimentação, Transporte e Energia), que objetiva aplicar investimentos públicos nas áreas mais sensíveis para a população e mais estratégicas para o desenvolvimento. Com essa injeção de recursos, o governo pretende ativar a economia.

O plano é uma tentativa de reversão dos efeitos da política econômica de Dutra, cujas medidas até então só serviram para aprofundar a crise que encontrou ao assumir a Presidência.

A inflação, alta em todo o mundo após a Segunda Guerra, era particularmente elevada no Brasil. Dutra aproveitara as altas reservas de moeda estrangeira acumuladas durante o conflito para fazer do câmbio o principal instrumento de combate à inflação. Com a moeda sobrevalorizada, o país acabou inundado por mercadorias importadas que, se contribuíram para manter o nível dos preços internos, também estagnaram a indústria nacional.

As reservas se esgotaram em pouco tempo e, com elas, a política econômica, que deixou um pesado saldo para a economia. O plano Salte, primeira experiência de planejamento do país, tinha a intenção de coordenar investimentos públicos e privados em obras estratégicas e, por meio delas, incentivar o crescimento.

No Congresso, todavia, Dutra se deparou com a resistência dos parlamentares que defendiam corte de gastos públicos. No plano externo, o dinheiro era escasso, pois as potências ocidentais concentravam investimentos na reconstrução da Europa e do Japão.

Poucos projetos do Salte sairiam do papel: o Hospital dos Servidores do Estado (Rio de Janeiro); um hospital em Salvador; a Rodovia Rio-Bahia; a Rodovia Rio de Janeiro-São Paulo; e a Usina Hidrelétrica de Paulo Afonso, no rio São Francisco.

O plano seria abandonado em 1951.