30 de outubro

PM ataca piquete e mata operário Santo Dias

Dez mil protestam no enterro do líder da oposição metalúrgica de São Paulo

Policiais militares atiram contra metalúrgicos que distribuíam panfletos em frente à fábrica de televisores Sylvania, na zona sul de São Paulo, convocando uma greve da categoria. Santo Dias da Silva, dirigente da oposição metalúrgica e militante da Pastoral Operária, morre no local. Três companheiros são feridos. A polícia recolheu o corpo imediatamente e tentou montar uma versão de tiroteio para o assassinato, mas nenhum dos trabalhadores estava armado.

O corpo de Santo Dias só foi liberado após intensa pressão de dirigentes sindicais e deputados da oposição. O assassinato provocou uma reviravolta no movimento grevista, que era boicotado pela diretoria pelega do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo. Poucas horas depois do crime, 6 mil trabalhadores decidiram manter a greve e rejeitar a proposta patronal.

O enterro do líder metalúrgico foi acompanhado por 10 mil pessoas e saudado com chuva de papel picado do alto dos edifícios de São Paulo. Dias foi o terceiro trabalhador morto pela polícia na repressão a greves naquele ano.