22 de julho

Polícia de Londres mata Jean Charles

Confundido com terrorista, brasileiro é executado com sete tiros no metrô

Com sete tiros, Jean Charles de Menezes, brasileiro de Minas Gerais, é executado pela Scotland Yard no metrô de Londres em seu trajeto usual para o trabalho, sob alegação de que ele seria um terrorista.

Duas semanas antes, bombas explodiram no metrô londrino matando e ferindo dezenas de pessoas. No dia 21 de julho, uma nova tentativa de atentado, desta vez fracassada, ocorrera no metrô da cidade. A Scotland Yard (polícia metropolitana) alegaria, posteriormente, haver confundido Jean Charles com um dos suspeitos procurados pelo atentado da véspera.

A morte do jovem brasileiro gerou um incidente diplomático: o governo brasileiro exigiu investigações aprofundadas sobre o caso. Em 2006, o então primeiro-ministro do Reino Unido Tony Blair pediria desculpas formais ao presidente Lula e à família de Jean Charles.

Apesar dos apelos do governo brasileiro e da cobertura da imprensa inglesa apontando as falhas da operação, nenhum policial ou autoridade seria sequer responsabilizado pela execução de Jean Charles. Autoridades locais atribuiriam os diversos erros da operação à tensão gerada pelos atentados terroristas.

Em 2007, a Scotland Yard seria multada em 175 mil libras por burlar as normas de segurança e saúde da população durante a operação.

Em 2009, a comandante da desastrada ação que matou Jean Charles receberia uma condecoração da rainha Elizabeth 2ª, e no ano seguinte o comissário de polícia seria indicado à Câmara dos Lordes.

Em 2010, a estação de Stockwell, local da execução, receberia um monumento em homenagem ao brasileiro. Em 2015, a família de Jean Charles entraria com representação na Corte Europeia de Direitos Humanos contra o governo inglês.

A morte de Jean Charles se tornara um símbolo.