11 de agosto

Sociedade Amigos da América é fechada

Em protesto, Osvaldo Aranha entrega renúncia. Entidade reunia democratas

A Polícia do Distrito Federal, sob o comando de Coriolano de Góis, proíbe a cerimônia de posse de Osvaldo Aranha na vice-presidência da Sociedade dos Amigos da América e fecha a entidade. Indignado, o chanceler entrega a Getúlio sua renúncia ao Ministério das Relações Exteriores. O governo perde, assim, um hábil negociador, amigo dos norte-americanos.

A Sociedade dos Amigos da América, fundada pelo general Manuel Rabelo em dezembro de 1942, tinha caráter antifascista e congregava elementos do governo favoráveis aos Aliados e setores oposicionistas liberais, incluindo os comunistas. Era um dos mais importantes elementos de pressão sobre o governo em defesa da democratização e da criação da Força Expedicionária Brasileira.

Na verdade, seus membros acumulavam forças e já se preparavam para exigir a redemocratização do país quando terminasse a guerra mundial.

Na inauguração da Sociedade, em 1º de janeiro de 1943, o próprio Manuel Rabelo já havia deixado claro que os objetivos da entidade eram colaborar no esforço bélico do Brasil, prestar apoio efetivo aos países americanos envolvidos no conflito mundial, “deflagrados pelos totalitários, inimigos da independência e da liberdade dos povos”, batalhar pelas liberdades fundamentais enumeradas na Carta do Atlântico e, por fim, “combater os quinta-colunas e denunciar seus múltiplos disfarces”. (A expressão “quinta-coluna” se referia aos espiões e agentes nazifascistas que atuavam clandestinamente no Brasil.)

Participavam da entidade, além do general Manuel Rabelo e Osvaldo Aranha (presidente e vice da instituição), os generais Cândido Rondon e Júlio Caetano Horta Barbosa e os irmãos Afonso Arinos e Virgílio de Melo Franco, entre outros.

A União Nacional dos Estudantes (UNE) era uma aliada importante da sociedade, que, em 1943, além da sede na capital federal, contava com núcleos nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia, Rio Grande do Sul, Amazonas e Ceará.

A Sociedade Amigos da América sofreu forte oposição do ministro da Guerra, general Eurico Gaspar Dutra, que nutria simpatias pelo fascismo. Dutra determinou que as atividades da sociedade fossem vigiadas. O Departamento de Imprensa e Propaganda várias vezes censurou notícias sobre suas iniciativas.

Nem mesmo a notícia da invasão e fechamento da entidade pôde ser noticiada.