18 de setembro

Por 49 dias, um civil ocupa a Presidência

Figueiredo sofre enfarte e militares autorizam interinidade de Aureliano

O general presidente João Baptista Figueiredo é internado às pressas no Hospital dos Servidores do Rio, onde recebe o diagnóstico de enfarte do miocárdio. Vinte e quatro horas depois, numa reunião com o chefe do Gabinete Civil, Leitão de Abreu, e os ministros militares, o vice-presidente Aureliano Chaves é autorizado a substituir o titular temporariamente afastado por determinação de uma junta médica. A posse é marcada para 23 de setembro, quatro dias depois da internação. 

Aureliano tornou-se assim o primeiro civil a assumir a Presidência da República 17 anos e 8 meses depois do golpe que depôs João Goulart. Em agosto de 1969, quando o general presidente Costa e Silva sofreu um acidente vascular cerebral que o deixou paralisado, o então vice-presidente Pedro Aleixo, um político civil, foi vetado pelos chefes militares. No lugar de Costa e Silva, assumiu uma Junta Militar que governou o país por três meses, até a posse do novo general presidente, Emílio Garrastazu Médici.

A interinidade do vice-presidente durou 49 dias. Nesse período, Aureliano recusou-se a decretar a expulsão do país dos padres franceses Aristides Camio e Francisco Goriou, recomendada pelos ministros militares. Camio e Gouriou estavam presos desde agosto, acusados de incitar posseiros de São Geraldo do Araguaia, no sul do Pará. Os dois religiosos, ligados à Comissão Pastoral da Terra (CPT), foram julgados e condenados a dez anos de prisão, com base na Lei de Segurança Nacional. Seriam soltos em 1983. Figueiredo reassumiria o cargo em 13 de novembro, depois de passar por exames em Cleveland (EUA).