17 de março

Missa para Vannucchi vira ato de protesto

Culto para estudante morto foi primeiro ato público pela democracia depois do AI-5

É assassinado sob torturas no DOI-Codi, 48 horas depois de ter sido preso,  Alexandre Vannucchi Leme, estudante de geologia na Universidade de São Paulo (USP) e militante da Ação Libertadora Nacional (ALN). Oficialmente, a morte foi atribuída a atropelamento ao fugir da prisão. A falsa versão provocou indignação.

Em 30 de março, véspera do aniversário oficial do golpe, o arcebispo dom Paulo Evaristo Arns celebrou missa em intenção do estudante morto diante de 5 mil pessoas, que se manifestaram dentro da Catedral da Sé contra a tortura e pelas liberdades democráticas. Foi o primeiro grande ato público contra a ditadura depois do Ato Institucional n° 5 (AI-5). Artistas famosos, dirigentes sindicais e políticos de oposição compareceram. Durante o culto, o compositor Sérgio Ricardo cantou "Calabouço", de sua autoria, feita em homengem ao estudante Edson Luís de Lima Souto, assassinado pela PM do Rio em 1968. 

Cerca de dois meses depois, num show em homenagem a Vannucchi na Escola Politécnica da USP, o compositor Gilberto Gil cantou "Cálice", dele e de Chico Buarque, canção proibida pela censura.  Em 1976,  os estudantes da USP criaram o  DCE (Diretório Central dos Estudantes) Livre Alexandre Vannucchi Leme, resgatando a memória do colega assassinado pela ditadura.